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Eu esbarro em coisas, eu bato contra possibilidades parcialmente vendado; eu ando sonambulo. Eu murmuro em meu sono e depois me respondo. Eu acordo quando não estou dormindo; eu durmo enquanto estou acordado.

Tom Burr, “sem título”, 2011

A obra nasce de apenas um toque na matéria. Quero que a matéria de que é feita a minha obra permaneça tal como é; o que a transforma em expressão é nada mais que um sopro; sopro interior, de plenitude cósmica. Fora disso não há obra. Basta um toque, nada mais.

Hélio Oiticica in “Aspiro ao grande labirinto”, 1960

Na ocasião de sua primeira exposição no Brasil, o artista conceitual norte-americano Tom Burr apresenta um grupo de novos trabalhos produzidos durante sua estadia em São Paulo. Ao longo dos últimos trinta anos, Burr tem investigado a relação de seu próprio corpo com determinados locais, legados de personas históricas e formas de abstração. Baseando-se em dois elementos paralelos: os Metaesquemas de Hélio Oiticica e a casa modernista ocupada pelas auroras (ambos do ano de 1957), o artista estabelece relações entre "uma vontade construtiva" das formulações da Nova Objetividade e algo da experiência Minimalista e Conceitual estadunidense. A trajetória de Burr é marcada pelo uso de referências a figuras queer. Nesse caso, Burr escolheu Oiticica como a figura central para refletir sua própria subjetividade. Como Tom Burr declarou: "Eu estava curioso para pensar onde Oiticica termina e eu começo, ou onde eu termino e ele começa".

Tom Burr (New Haven, Connecticut - 1963) estudou na Escola de Artes Visuais em Nova York e participou do Whitney Independent Study Program, onde estudou com Craig Owens, Benjamin Buchloh, Yvonne Rainer e Barbara Kruger entre outros. Durante esse período, Burr mergulhou nos escritos teóricos e práticas conceituais que expandiam seu próprio trabalho e pensamento. Em 1993, Burr foi convidado a participar de várias grandes exposições na Europa, incluindo a Sonsbeek '93, com curadoria de Valerie Smith. Foi para a exposição de Sonsbeek que Burr criou uma de suas obras mais conhecidas "Um jardim americano", uma recriação em escala de uma seção da Ramble do Central Park, e uma extensão direta dos escritos de Robert Smithson e o culminar de um conjunto de obras sobre parques públicos, paisagem e identidade masculina gay. O artista é conhecido por fundir formas de minimalismo com certas condições da história recente de Nova York, especificamente a guerra contra a sexualidade pública durante a crise da Aids. Suas obras são, em parte, formadas por esculturas, com espaços arquitetônicos fechados como barras, gaiolas e caixas. Estas obras, muitas vezes pintadas com uma paleta preta fosca, evocam espaços de controle e contenção, bem como as "zonas seguras" de culturas alternativas. Tom Burr vive e trabalha em Nova York. Exposições individuais selecionadas incluem Tom Burr/New Haven: Pre-Existing Conditions, Marcel Breuer Armstrong Rubber Building (New Haven, 2017); Surplus of Myself, Westfälischer Kunstverein (Munique, 2017); Gravity Moves Me, FRAC Champagne-Ardenne (Reims, 2011); Addict – Love, Sculpture Center (Nova York, 2008); Moods, Secession (Viena, 2007); Extrospective, Musée Cantonal des Beaux-Arts de Lausanne (Lausana, 2006); Deep Purple, Whitney Museum of American Art (Nova York, 2002). Este ano prepara uma grande exposição Wadsworth Atheneum Museum of Art, em Hartford. As suas participações em exposições coletivas incluem o Skulptur Projekte 2017 (Munique, 2017); Question the Wall Itself, Walker Art Center (Minneapolis, 2016); Béton, Kunsthalle Wien (Viena, 2016); Ordinary Pictures, Walker Art Center (Minneapolis, 2016); To expose to show, to demonstrate, to inform, to offer, Museum Moderner Kunst Stiftung Ludwig (Viena, 2015); The Present Modernism, MUMOK (Viena, 2014); Take It or Leave It: Institution, Image, Ideology, Hammer Museum (Los Angeles, 2014); Not Yet Titled, Museum Ludwig (Colônia, 2013); 12th Istanbul Biennial (Istanbul, 2011) and the Whitney Biennial 2004 (Nova York, 2004). Seu trabalho está presente em importantes coleções institucionais tais como a do Centre Pompidou (Paris); Hammer Museum (Los Angeles); Ludwig Museum (Colônia); MOCA (Los Angeles); MuMOK (Viena); Walker Art Center (Minneapolis) e do Whitney Museum of American Art (Nova York). Os escritos de Tom Burr foram incluídos em inúmeras publicações, incluindo Artforum; Texte zür Kunst, October, entre outros. "Tom Burr, Anthology: Writings 1991-2015" foi publicado pela Sternberg Press.

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I stumble into things, I bang up against possibilities partially blindfolded; I sleepwalk. I mumble in my sleep and then answer myself. I wake up when I’m not asleep; I sleep while I’m awake.

Tom Burr, “Untitled”, 2011


The work is born with only a touch of matter. I want the matter of which my work is done to remain as it is; what turns it into expression is nothing more than a breath; inner breath, of cosmic fullness. Beyond this there is no work. Just one touch, nothing more.

Hélio Oiticica in “Aspiro ao grande labirinto”, 1960

On the occasion of his first exhibition in Brazil, American conceptual artist Tom Burr presents a group of new works produced during his stay in Sao PauloOver the past thirty years, Burr has been investigating the relation of his own body to given sites, legacies of historical personas and forms of abstraction.  Drawing on two parallel elements: the Metaesquemas by Hélio Oiticica and the modernist house occupied by auroras (both from the year 1957), the artist establishes relations between "a constructive will" of the formulations of the New Objectivity and something of the American Minimalist and Conceptual experience. Burr's trajectory is marked by the use of references to queer figures. In this case, Burr chose Oiticica as the pivotal figure to reflect on his own subjectivity. As Tom Burr stated “I was curious to think about where Oiticica ends and I begin, or where I end and he begins”. 

Tom Burr (New Haven, Connecticut - 1963) attended the School of Visual Arts in New York and the Whitney Independent Study Program, where he studied with Craig Owens, Benjamin Buchloh, Yvonne Rainer, and Barbara Kruger among others. During this time Burr immersed himself in the theoretical writings and conceptual practices that would expand his own work and thinking. In 1993 Burr was invited to participate in several large-scale exhibitions in Europe, including Sonsbeek '93, curated by Valerie Smith. It was for the Sonsbeek exhibition that Burr created his highly regarded work "An American Garden," a scale recreation of a section of Central Park's Ramble, and a direct extension of Robert Smithson's writings and the culmination of a body of work dealing with public parks, landscape, naturalism, and gay male identity.  The artist is known for fusing forms of Minimalism with certain conditions in New York’s recent history, specifically the war on public sexuality during the Aids crisis. His works are forms of expanded sculpture, with closed architectural spaces such as bars, cages and boxes. These works, often painted with matte black palette, evoke spaces of control and containment, as well as the "safe zones" of underground cultures. Tom Burr lives and works in New York. Selected solo exhibitions include Tom Burr/New Haven: Pre-Existing Conditions, Marcel Breuer Armstrong Rubber Building (New Haven, 2017); Surplus of Myself, Westfälischer Kunstverein (Münster, 2017); Gravity Moves Me, FRAC Champagne-Ardenne (Reims, 2011); Addict – Love, Sculpture Center (New York, 2008); Moods, Secession (Vienna, 2007); Extrospective, Musée Cantonal des Beaux-Arts de Lausanne (Laussane, 2006); Deep Purple, Whitney Museum of American Art (New York, 2002). He is preparing a major exhibition at the Wadsworth Atheneum Museum of Art, in Hartford. Selected recent group exhibitions include Skulptur Projekte 2017 (Münster, 2017); Question the Wall Itself, Walker Art Center (Minneapolis, 2016); Béton, Kunsthalle Wien (Wien, 2016); Ordinary Pictures, Walker Art Center (Minneapolis, 2016); To expose to show, to demonstrate, to inform, to offer, Museum Moderner Kunst Stiftung Ludwig (Wien, 2015); The Present Modernism, MUMOK (Wien, 2014); 30/60 Works from the Collection of the FRAC Champagne-Ardenne, Mario Marini Museum (Florence, 2014) Take It or Leave It: Institution, Image, Ideology, Hammer Museum (Los Angeles, 2014); Not Yet Titled, Museum Ludwig (Köln, 2013); 12th Istanbul Biennial (Istanbul, 2011) and the Whitney Biennial 2004 (New York, 2004). His work is present in important institutional collections such as Centre Pompidou (Paris); Hammer Museum (Los Angeles); Ludwig Museum (Colônia); MOCA (Los Angeles); MuMOK (Viena); Walker Art Center (Minneapolis) and Whitney Museum of American Art (New York). Tom Burr’s writings have been included in numerous publications including Artforum; Texte zür Kunst, and October magazine, among others. “Tom Burr, Anthology: Writings 1991-2015” was published by Sternberg Press.

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