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Água parada

Com um degradê que vai de um verde escuro até um preto profundo, Marcius Galan apresenta Água parada, um projeto site specific na piscina do auroras. Simulando a decantação de água no fundo da piscina, o artista modifica o ambiente com precisão, pintando faixas de cor nos azulejos brancos. Essa imagem da água parada sofre uma mudança: ao invés de se manter fiel ao nível horizontal, as linhas que delimitam essas marcas estão em diagonais. Essa estranha variação, quase como se o centro de gravidade do mundo fosse deslocado, insere a obra dentro de um campo “impossível”.

Diferentemente das Seções Diagonais, esta instalação não procura criar um efeito de ilusão ótica. A linha que traçava o espaço, marcando uma diferença cromática em seus trabalhos anteriores, estabelecia um espaço complexo e ambíguo que demandava uma investigação cuidadosa por parte do observador em uma relação ativa. Se a sua prática frequentemente insta uma percepção que, num primeiro momento, é deixada com uma incerteza quanto aos materiais e, nesse caso, a verificação dos materiais não é possível através da penetração no espaço.

Confrontando o elemento construtivo da piscina a céu aberto ao invés da arquitetura tradicional que a obra se relacionava, a mera figuração de um deslocamento do eixo de gravitação da água reverbera, por consequência, numa série de fatores que acabam ligando uma decisão simples, de escala reduzida, à uma suposta modificação de todo um sistema físico do globo terrestre.  

Marcius Galan, Estudo para “Água Parada” (detalhe), 2019

Marcius Galan, Estudo para “Água Parada” (detalhe), 2019

Marcius Galan (Indianápolis, EUA - 1972) radicado no Brasil, Galan transita por diversos suportes, incluindo esculturas, instalações, fotografias, colagens e desenhos. Tem participado de grandes exposições nacionais e internacionais como Art and Space, Guggenheim (Bilbao, 2017) a 30x Bienal (São Paulo, 2013) a 8ª Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2011) e a 29ª Bienal de São Paulo (2010).  Recebeu, em 2011, o Cisneros Fontanals Comission Prize e, em 2012, o Prêmio PIPA, que o levou a uma residência artística na Gasworks, em Londres. Vive e trabalha em São Paulo.

Realizou individuais na Capela do Morumbi (São Paulo, 2018); Instituto Figueiredo Ferraz (Ribeirão Preto, 2018); Fundação Ema Klabin (São Paulo, 2017); Paço das Artes (São Paulo, 2001) e Centro Cultural São Paulo (1999). Participou de coletivas no MuBE (São Paulo, 2019, 2016); Museu de Arte Moderna de São Paulo (2018, 2014, 2013, 2011, 2009, 2007, 2006); Guggenheim Bilbao (2017); Phoenix Art Museum (2017); MASP – Museu de Arte de São Paulo (2017); Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2015, 2011, 2006); Pivô (São Paulo, 2015, 2014); Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (2015, 2011); Palais de Tokyo (Paris, 2014); Musée d’art Contemporain de Lyon (2014); Wexner Center for the Arts (Columbus, 2014).

Sua obra está em importantes coleções no mundo como a Cifo, Cisneros Fontanals (Miami, EUA); JUMEX (Cidade do México, México); Instituto Inhotim (Brumadinho, Brasil); Instituto Figuereido Ferraz (Ribeirão Preto, Brasil); Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM-SP; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM Rio; Museum of Fine Arts (Houston, EUA); Museu Serralves (Porto, Portugal); e na Pinacoteca do Estado de São Paulo.