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A apropriação de imagens é uma prática que se intensificou drasticamente nas ultimas décadas. Desde então, incorporar imagens das mais diversas origens é uma das características da produção contemporânea, frequentemente misturando diferentes materiais e técnicas. A exposição Transformers, no auroras, destaca o uso diverso da imagem que é articulada por Leda Catunda, Arthur Chaves, Pedro França e Robert Rauschenberg. 

Num momento onde a circulação de imagens ultrapassa quaisquer limites estabelecidos, a noção de autoria e originalidade são esgarçadas. A ideia de propriedade intelectual é ultrapassada por um uso livre das imagens. A partir da década de 1960, a incorporação de imagens da alta e da baixa cultura passaram a povoar o panorama artístico, esgarçando os limites de “gosto”. 

A tinta, que permeia com mais ou menos intensidade todas as obras, serve, frequentemente, para alinhavar os diversos campos imagéticos e materialidades que foram aproximadas quase que bruscamente. Isto é, funciona também como um elemento que atravessa os mais diferentes tipos de tecidos e materiais como uma espécie de amálgama da composição.

Cada artista dessa exposição articula espaços distintos, em um campo mais ou menos delimitado. Dessa maneira, as ideias raramente se ordenam de modo linear, e essa espécie de desordem é parte de sua lógica construtiva. Através de ideias de sampling e détournement, os artistas convocam imagens das mais diferentes naturezas, que vão de Albrecht Dürer (1471 – 1528) a imagens de gatinhos, colcha de espaçonaves, e máscaras de super-heróis. É sintomático que essas imagens ocupem um mesmo ambiente, reforçando um achatamento de tudo que se constrói na cultura visual.

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The appropriation of images is a practice that has intensified drastically in the last decades. Since then, incorporating images from diverse origins is one of the characteristics of contemporary production, often mixing different materials and techniques. The exhibition Transformers highlights the diverse usage of image that is articulated by Leda Catunda, Arthur Chaves, Pedro  França and Robert Rauschenberg.

In a moment where the circulation of images exceeds any established limits, the notion of authorship and originality are frayed. The idea of ntellectual property is surpassed by a free usage of images. From the 1960s, the incorporation of images from the high and low culture began to populate the artistic panorama, narrowing the limits of "taste."

The paint, which permeates with more or less intensity all the works, often serves to bridge the various imagery fields and materialities that have been almost abruptly approximated. That is, it also functions as an element that crosses the most different types of fabrics and materials as a sort of amalgamation of the composition.

Each artist of this exhibition articulates distinct spaces, in a more or less delimited field. In this way, ideas are rarely ordered linearly, and this kind of disorder is part of their constructive logic. Through ideas of sampling and détournement, the artists summon images of the most different natures, ranging from Albrecht Dürer (1471 - 1528) to images of kittens, spaceship quilt and masks of superheroes. It is symptomatic that these images occupy the same environment, reinforcing a flattening of everything that is constructed in the visual culture.

 

TEXTO POR ILE SARTUZI

 

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