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auroras tem o prazer de apresentar  Fumaça nos seus olhos, com curadoria de Paulo Miyada, incluindo obras de Cecily Brown, Flávio de Carvalho e Tunga, três importantes artistas, cujas produções investem no desejo como força que aproxima signos, subjetividades e formas. A mostra reúne onze obras, entre pinturas, desenhos e instalação, que relacionam a tactilidade da matéria e sua transfiguração em corpos. Embora sejam de formações completamente distintas, cada um desses artistas soube desenvolver, em seu tempo, a liberdade dos desejos frente à crescente repressão da libido. As figuras de corpo tendem a ser vislumbradas entre linhas de tensão, massas de tinta e pinceladas, dificilmente encerradas em suas individualidades, mas em um jogo de interpenetrações, abolindo limites bem definidos.

Enquanto os objetos de desejo dos desenhos de Flávio de Carvalho (1899 – 1973) são frequentemente o corpo da mulher, Cecily Brown (1969) explora o corpo a partir de uma perspectiva feminina, mas que não deixa de constituir também uma imagem desintegrada, como grande parte da tradição moderna. A linha dos desenhos de Tunga (1952 – 2016) passeiam organicamente sobre o papel, criando uma simbologia erótica quase-mística. 

Com um dinamismo que desafia a natureza estática da pintura, a obra de Cecily Brown cria um jogo fluido entre o revelar e o ocultar, retendo o olhar em suas composições vibrantes, frequentemente dialogando com figuras da história da arte. A obra de Francis Bacon e Edgar Degas são centrais para sua produção, assim como Delacroix, que foi uma importante referência para a concepção de sua série de obras sobre naufrágios. Um desenho de grandes dimensões desta série está presente na exposição, tensionando as relações entre o passado e os acontecimentos recentes.

Além dos desenhos e pinturas, é apresentada pela primeira vez ao público, uma das últimas grandes obras de Tunga, Sem título (2015), trazendo as relações de tactilidade, peso e simbólicas para outra esfera, em uma transmutação alquímica. O desejo, que se revela de forma pulsante nas obras dessa exposição, é, nas palavras de Tunga, uma ‘energia de conjunção’, capaz de associar uma variedade de materiais como ferro, cerâmica, vidro e cristal.

 

Cecily Brown (Londres, 1969) Uma das grandes pintoras da atualidade, graduou-se na Slade School of Fine Art em 1993. Mudou-se para Nova York no ano seguinte, aproximando-se das influencias abstratas e expressionistas da cidade, mas por vezes satirizando noções de virilidade dessa tradição, explorando questões eróticas na pintura a partir de uma perspectiva feminina. Realizou exposições individuais em instituições como o Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, (Washington D.C., 2002–03); Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madrid, 2004); Museum of Modern Art (Oxford, 2005); Museum of Fine Arts (Boston, 2006–07); The Drawing Center (Nova York, 2016); Museum of Contemporary Art Santa Barbara (Santa Barbara, 2018). Vive e trabalha em Nova York.

Flávio de Carvalho (Amparo da Barra Mansa, 1899 - Valinhos, 1973) se destacou como artista, arquiteto, cenógrafo, escritor e engenheiro. Em sua juventude estuda em Paris e posteriormente inicia o curso de engenharia civil no Armstrong College da Universidade de Durham, (Newcastle, Inglaterra) frequentando paralelamente o curso noturno de artes da King Edward the Seventh School of Fine Arts. Conclui seus estudos em 1922 e, nesse mesmo ano, volta a residir em São Paulo. Em 1931, realiza a polêmica performance (avant la lettre) Experiência nº 2. Escreveu o texto para a peça O Bailado do Deus Morto, cuja encenação foi proibida pela polícia em 1933. Seus textos o levaram a ser indicado, em 1939, para o Prêmio Nobel de Literatura. Sua primeira exposição individual, realizada em 1934, também foi fechada pela polícia sob alegação de atentado ao pudor, e reaberta alguns dias depois, por ordem judicial. Em 1956, apresenta no centro de São Paulo o New Look – um traje tropical masculino constituído por uma saia de nylon, uma camisa bufante, um chapéu e uma meia arrastão com sandálias de couro – causando novamente um grande escândalo. Participou da 25ª Bienal de Veneza (Veneza, 1950); da Bienal de São Paulo (São Paulo, 1951, 1953, 1955, 1963, 1965, 1967, 1971, 1973); do Panorama de Arte Atual Brasileira (São Paulo, 1969, 1970, 1971), entre outras exposições.

Tunga (Palmares, 1952 - Rio de Janeiro, 2016) formou-se em arquitetura pela Universidade do Rio de Janeiro, fundou, na década de 1970, juntamente com os artistas Cildo Meireles, Waltercio Caldas e José Resende, a revista Malasartes e o jornal A Parte do Fogo. Sua obra se desenvolveu em diversas linguagens artísticas, como vídeo, performance, escultura, desenho e instalação, mas também abrange relações com a ciência, a alquimia e ritos ancestrais. Depois de sua primeira individual, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1974, o artista realizou exposições individuais em instituições como o MASP (São Paulo, 2017); MoMA PS1 (Nova York, 2008); Musée do Louvre (Paris, 2005); Galerie Nationale du Jeu de Paume (Paris, 2001); Museo de Arte Contemporáneo (Monterrey, 2001); Phoenix Art Museum (Phoenix, 1998); Museum of Contemporary Art, Miami; Bard College – Center for Curatorial Studies, Nova York, EUA (1997); Museum of Contemporary Art of Chicago (Chicago, 1989); Kanaal Art Foundation (Kortrijk, 1989); Whitechapel Gallery (Londres, 1989). Em 2012, o Instituto Inhotim (Brumadinho, MG) inaugurou um segundo pavilhão dedicado à sua obra. Participou da Bienal de São Paulo (1981, 1987, 1994, 1998 e 2013); Bienal de Lyon (2000); Bienal do Mercosul (1999); Documenta X (1997); Bienal de la Habana (1994); e da Bienal de Veneza (1982). Seu trabalho integra importantes coleções públicas, como o Peggy Guggenheim; The Museum of Fine Arts, Houston; MoMA – Museum of Modern Art; Instituto Inhotim, entre outros.

 

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auroras is pleased to present Smoke Gets in Your Eyes, curated by Paulo Miyada, including works by Cecily Brown, Flávio de Carvalho and Tunga, three important artists, whose productions invest desire as a force that brings together signs, subjectivities and forms.. Included in the exhibition are eleven works – paintings, drawings and installation, which relate the tactility of matter and its transfiguration into bodies. Although from different backgrounds, these artists were able to develop, in their own time, the freedom of desire against the increasing repression of the libido. Body figures tend to be glimpsed between lines of tension, masses of paint and brushstrokes, hardly enclosed in their individualities, but in a play of interpenetrations, abolishing well-defined limits.

While the objects of desire in Flávio de Carvalho’s drawings (1899 - 1973) often depict the female body, Cecily Brown (1969) explores the body from a feminine perspective, but also constitutes a disintegrated image, as part of much modern tradition. The line in Tunga’s drawings (1952 - 2016) strolls organically on the paper, creating a quasi-mystical erotic symbolism.

With a dynamism that defies the static nature of painting, Cecily Brown’s work creates a fluid ambiguity between revealing and hiding, retaining the eye in its vibrant compositions, often in dialogue with figures of art history. The work of Francis Bacon and Edgar Degas are central to her production, as well as Delacroix, who was an important reference for the conception of the shipwrecks series. A large drawing of this series is presented at the exhibition, stressing the relations between the past and recent events.

In addition to the drawings and paintings, one of the last great works by Tunga, Untitled (2015), is presented for the first time to the public, bringing tactile, weighty and symbolic relations to another sphere in an alchemical transmutation. The desire, which is revealed in a pulsating way in the works of this exhibition, is, in Tunga’s words, a ‘conjunction energy’, capable of associating a variety of materials such as iron, ceramics, glass and crystal.

 

Cecily Brown (London, 1969), one of the great painters of today, graduated from the Slade School of Fine Art in 1993. She moved to New York the following year, getting close to the abstract and expressionist influences of the city, but sometimes satirizing notions of virility from this tradition, exploring erotic questions in painting from a feminine perspective. She has held individual exhibitions at institutions such as the Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, (Washington D.C., 2002-03); National Museum of Reina Sofía Art Center (Madrid, 2004); Museum of Modern Art (Oxford, 2005); Museum of Fine Arts (Boston, 2006-07); The Drawing Center (New York, 2016); Museum of Contemporary Art Santa Barbara (Santa Barbara, 2018). Lives and works in New York.

Flávio de Carvalho (Amparo da Barra Mansa, 1899 - Valinhos, 1973) distinguished himself as an artist, architect, set designer, writer and engineer. In his youth he studied in Paris and later began his civil engineering course at the Armstrong College of the University of Durham (Newcastle, England), attending in parallel the night arts course in King Edward the Seventh School of Fine Arts. He finished his studies in 1922 and, in that same year, returned to live in São Paulo. In 1931, he performed the controversial performance (avant la lettre) Experiência nº 2. He wrote the text for the play The Ballet of the Dead God, whose staging was forbidden by the police in 1933. His texts led him to be nominated for the Nobel Prize in Literature in 1939. His first individual exhibition, held in 1934, was also closed by the police on charges of indecent assault, and reopened a few days later, by court order. In 1956, he presented the New Look in the center of São Paulo - a tropical male suit made up of a nylon skirt, a puff top, a hat and a half trawler with leather sandals - again causing great scandal. His work was part of the 25th Venice Biennial (Venice, 1950); the São Paulo Biennial (São Paulo, 1951, 1953, 1955, 1963, 1965, 1967, 1971, 1973); the Panorama de Arte Atual Brasileira (São Paulo, 1969, 1970, 1971), amongst other exhibitions.

Tunga (Palmares, 1952 - Rio de Janeiro, 2016) graduated in architecture from the University of Rio de Janeiro. In the 1970s, he founded along with artists Cildo Meireles, Waltercio Caldas and José Resende, the magazine Malasartes and the newspaper A Parte do Fogo. His work has developed in several artistic languages, such as video, performance, sculpture, design and installation, and dialogues with science, alchemy and ancestral rites. After his first solo exhibition at the Museu de Arte Moderna in Rio de Janeiro in 1974, the artist held individual exhibitions at institutions such as MASP (São Paulo, 2017); MoMA PS1 (New York, 2008); Musée du Louvre (Paris, 2005); Galerie Nationale du Jeu de Paume (Paris, 2001); Museum of Contemporary Art (Monterrey, 2001); Phoenix Art Museum (Phoenix, 1998); Museum of Contemporary Art, Miami; Bard College - Center for Curatorial Studies, New York, USA (1997); Museum of Contemporary Art of Chicago (Chicago, 1989); Kanaal Art Foundation (Kortrijk, 1989); Whitechapel Gallery (London, 1989). In 2012, Inhotim Institute (Brumadinho, MG) inaugurated a second pavilion dedicated to his work. He participated in the São Paulo Biennial (1981, 1987, 1994, 1998 and 2013); Biennial of Lyon (2000); Mercosur Biennial (1999); Documenta X (1997); Biennial of Havana (1994); and the Venice Biennale (1982). His work integrates important public collections, such as the Peggy Guggenheim; The Museum of Fine Arts, Houston; MoMA - Museum of Modern Art; Instituto Inhotim, among others.

 

TEXTOS | TEXTS

PRESS RELEASE (Port) | PRESS RELEASE (Eng) – Ilê Sartuzi

FUMAÇA NOS SEUS OLHOS | SMOKE GETS IN YOUR EYES  – Paulo Miyada

A CONVERSA | THE CONVERSATION Gisela Domschke

 

 

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